apalavreado

adj.m. 1.aquele que não consegue descrever com palavras, 2. eu, 3. você, 4. os humanos em geral
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domingo, 13 de setembro de 2009

Mensagem de boas-vindas àquela com quem nunca me dei bem

A primavera está aqui, ao meu lado. O cheiro da flor, que para mim já está morta há tempos, invade as minhas narinas. Não sei por quanto tempo vou aguentar mais essa primavera.
Não há nenhuma beleza notável em um dia primaveril que não seja notado em um dia de inverno. Para mim a primavera é uma desculpa pras pessoas acharem a esperança. E a esperança me deixou há muito de ser útil.
A primavera me faz pensar, a primavera me traz enxaquecacas: a primavera me faz mal. Eu quero o vento gélido do inverno que me faz sentir que não sou a única a ser fria assim. A alegria das pessoas na primavera me soa até como uma alienação. O que a primavera tem de tão especial?
A esperança não existe mais.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Carta Aberta (23/06/09)

Tendo plena noção de que esta carta tem pouquíssima chance de ser publicada em algum meio de comunicação mais influente, a inicio com uma crítica justamente ao escasso espaço destinado às opiniões dos cidadãos dessa sociedade.

O quão triste é ler um jornal, uma revista, ou até mesmo um blog com pretensões jornalísticas com vários espaços destinados a uma mesma idéia? Fiquei bastante chateada, principalmente porque costumava acreditar que as pautas que impulsionam o Movimento Estudantil (ME) na Universidade de São Paulo (USP) atualmente poderiam ser resolvidas pelo diálogo, que os estudantes podiam inserir suas idéias na mídia e dizer o porquê de se colocarem contra, por exemplo, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP).

O que a nossa reitora professora doutora Suely Vilela mostrou no momento em que permitiu que a Polícia Militar (PM) entrasse no campus Butantã da USP foi que esse diálogo não iria acontecer. Confesso que só então mudei a minha opinião e me posicionei a favor da greve, pois realmente acreditava – como estudante de Letras – na conversa.

A polícia foi sim chamada para cumprir um processo de reintegração de posse, mas é importante que pensemos nos motivos pelos quais os funcionários faziam os piquetes e até que ponto eles interferiam no direito das pessoas de ir e vir, já que eles não eram violentos e eram feitos através de conversa. Mais importante ainda é pensar na reação de todos os outros “habitantes” da “cidade Universitária”: a polícia lá causou muito desconforto.

Além disso, é muito importante que lembremos que a USP foi criada para ser autônoma e quando a reitora chama a PM ela inverte os poderes da Universidade e mostra a sua submissão ao governo. Existe a polícia do campus que podia lidar com esta situação. Fazendo isso, a reitora se destituiu do cargo, sendo assim, eu não me sinto mais representada por ela.

No dia nove de julho (09/06) estava programado um ato de estudantes, funcionários e alguns professores das faculdades estaduais (USP, UNESP e UNICAMP) no portão um do campus Butantã. A polícia estava em posição de choque e a ato se restringiu a palavras de ordem como: “Fora PM”, “Fora Suely”, “A culpa é sua, hoje a aula é na rua”, “Conhecimento sim, polícia armada não” – com os livros levantados, “Quem não pula é PM” e outras palavras que podem ter soado um pouco mais agressivas como quando chamavam os policiais de coxinhas.

Um desentendimento entre os manifestantes na hora de encerrar o ato acabou fazendo com que o movimento se dispersasse. Se houve ou não provocação por meio de alguns manifestantes não é exatamente o caso, mas supondo que este realmente aconteceu veja a generalização que a mídia fez dizendo que “o movimento estudantil é isso ou aquilo” e que “isso não é estudante, estudante é aquele que está na sala estudando” (e não defendendo o seu ideal de Universidade e seu local de estudo).

A polícia reagiu às (possíveis) provocações de um determinado grupo e, segundo as notícias divulgadas, fez isso apenas para dispersar o movimento – que já estava disperso. A correria se estendeu até o prédio da História e Geografia onde estava acontecendo uma reunião da Associação Docente da USP (ADUSP). Ao ser informada e perceber o que estava acontecendo a diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas desceu do prédio para conversar com os policiais que atiravam bombas de efeito (i) moral e de gás lacrimogêneo dentro do prédio quando foi bombardeada[1].

Os fatos decorrentes dessa entrada da PM comprovaram ainda mais a relutância da reitora e do governo em que esse diálogo acontecesse: as negociações com o FÓRUM DAS SEIS permaneciam fechadas e a imprensa se mostrava cada vez mais parcial. Confesso que isso me deixou muito chateada e pouco esperançosa. Cartas de diversos professores das mais variadas faculdades e universidades rodaram entre os e-mails dos estudantes e alguns chegaram à mídia, mas esta não manifestou interesse em publicá-las (salvo algumas como a carta do professor Safatle, do departamento de filosofia da FFLCH).

Hoje, uma semana antes do término das aulas na Universidade, a situação é outra. As negociações foram reabertas, a polícia foi retirada do campus nos dias de negociações (e os piquetes suspensos). Ou seja, a reitoria está se abrindo para o diálogo novamente.

A questão que mais me preocupa é: e se a reitora, o governo e a imprensa conversar com os funcionários, com os professores e se “esquecerem” dos estudantes pois são um “bando de baderneiros que tem é que estudar”?

Não devemos deixar que o movimento morra e muito menos nos esquecermos de uma das nossas principais pautas: a UNIVESP. O projeto da Universidade Virtual tem uma maquiagem democrática de acesso à educação, porém, ela acaba formando um círculo de precarização cada vez maior, uma vez que é um curso feito para suprir as vagas para professores da escola pública.

Falando pelo prédio de Letras, que não possui salas e cadeiras suficientes para sequer o ensino presencial, que infra-estrutura ele teria para receber o equipamento para o ensino à distância?

Mesmo que o projeto da UNIVESP não possuísse nenhuma falha, é preciso que se melhore o ensino presencial, aumente o número da vagas do mesmo para então aplicar um ensino à distância, caso contrário, se criará um ensino à distância precário. É importante lembrar, porém, que “estudante é aquele que está na sala de aula estudando”, segundo a mídia. Então pensaríamos: o ensino à distância faz com que a pessoa seja estudante?

Brincadeiras à parte, eu acredito, como futura professora, que a educação está além da sala de aula, está na convivência, na própria vivência com o Movimento Estudantil. O ensino à distância deveria ser aplicado como especialização e não como um curso de licenciatura, já que o contato professor-aluno, aluno-aluno se aprende muito com a vivência.

Escrevo hoje essa carta à comunidade, apenas como um desabafo. Acredito que para muitos estudantes será apenas uma repetição do que foi dito em assembléias e lido em fóruns de discussão, mas aparentemente, para a mídia isso é novidade.

Queria também manifestar meu repúdio aos atos abertamente antidemocráticos[2] que estão acontecendo, meu repúdio à parcialidade da mídia e principalmente meu apoio a qualquer pessoa ou movimento que esteja à procura de diálogo para fazermos do ME um movimento que possua forças para construir uma Universidade melhor.

Paula de Camargo Penteado

Letras – USP

23/06/09



[1]Comunicado da Direção da Faculdade de Filosodia, Letras e Ciências Humanas


Diante da gravidade dos acontecimentos ocorridos no campus da USP, na tarde de 09/06/2009, a direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, as chefias de Departamentos e as Presidências das Comissões Estatutárias, reunidas em 10/06, vêm a público para manifestar o seguinte:

1. Por volta das 17hs, mesmo com a tentativa de mediação da direção da FFLCH junto ao comandante do efetivo da PM, bombas de efeito moral foram atiradas sobre o estacionamento do prédio de Geografia e História, tendo seus gases invadido o edifício, onde se encontravam muitos professores, alunos e funcionários de nossa unidade.


2. Independente das causas que tenham originado tal atitude, esta se constituiu numa agressão física e moral à Faculdade. Não podemos aceitar passivamente um ato violento que agrida um espaço que foi constituído para o pensamento e reflexão.


3. Inquieta-nos o fato de ser a primeira agressão direta sofrida pela faculdade desde 1968. Acreditamos ser urgente encontrar formas de reabrir o diálogo de modo a permitir que os meios tradicionais e próprios da comunidade universitária de resolver conflitos se imponham sobre a força.


4. A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas em seus 75 anos de história conseguiu se transformar num patrimônio cultural do Brasil. É responsabilidade de todos nós, professores, alunos e funcionários da USP, encontrarmos meios deafastar todas as formas de violências do campus para preservar a Universidade como um espaço plural e democrático de geração e transmissão do saber.

Profa. Dra. Sandra Margarida Nitrini

Diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas”

[2] " Grupos antigreve marcam novo ato na USP

Terceiro protesto contra a paralisação foi marcado para a próxima quinta-feira, em frente à Faculdade de Economia

Um dos grupos tem 665 membros na comunidade do Orkut e diz ter reunido 3.000 adesões em abaixo-assinado contra a paralisação na USP

DA REPORTAGEM LOCAL

Nos últimos dias, um movimento antigreve na USP deixou de ser virtual (na internet) e passou a promover atos na Cidade Universitária. Já foram feitos dois protestos e outro está marcado para quinta.

Entre estudantes descontentes com sucessivas greves, há também dois grupos virtuais organizados, que participam ou organizam a mobilização.

O maior, denominado CDIE (Comissão para Defesa dos Interesses Estudantis da USP), existe desde abril deste ano e conta com 665 membros na comunidade do Orkut. Ele é responsável por um abaixo-assinado contra a greve, que já reúne 3.000 assinaturas, segundo os organizadores.

O mais recente, denominado Flacusp (Forças de Libertação Anticomunistas da USP), foi criado no Orkut no dia 8 e tem 107 membros virtuais "selecionados", afirma Leandro, 23, um dos participantes (ele não quis dar o sobrenome nem dizer a qual curso pertence).

Leandro classifica os atos do movimento grevista como "balbúrdia" e diz preferir a ditadura. "A ditadura impõe a ordem, não deixa essa zona acontecer."

O jovem era um dos participantes de um protesto antigreve que ocorreu na última sexta de manhã na USP e reuniu 80 estudantes. Na mesma noite, outra manifestação contra a paralisação reuniu cerca de 300 pessoas. Nos dois protestos, houve confrontos com grevistas, xingamentos e discussão. Antigrevistas afirmam ter sido vítimas de chutes e socos.

Nos protestos, estudantes contra a greve pediam a volta do "bandejão" e do "ônibus circular". Os grevistas chamavam o grupo de "fascista". O próximo ato antigreve será quinta, às 12h30, em frente à FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade)."

terça-feira, 23 de junho de 2009

Cartas de Amor são falsas, não seriam cartas de amor se não fossem falsas

Sabe o que eu queria?
Queria poder te abraçar
sem acharem que estou dando em cima de você...

Queria poder encostar no seu ombro
e chorar
sem você ter que me perguntar o que está acontecendo...

Queria poder ficar em silêncio
sem você se sentir desconfortável...

Queria que você não se incomodasse
quando eu não olhasse pra você...

Queria que você simplesmente acordasse
e visse que eu não olho pra você porque é doloroso demais.
Cada vez que meu olhar sem vida e sem graça encontra com o seu olhar tão brincalhão e belo meu coração se aperta e começa a lamentar.

Queria que você percebesse
que texto piegas não é coisa minha
e que isso é sim pra você.

domingo, 9 de novembro de 2008

Carta a um poeta

Caríssimo Álvaro,
você é uma pessoa incrível, mas não posso deixar de ficar surpresa ao escutá-lo dizendo que todas as cartas de amor são ridículas. Não, as cartas de amor não são ridículas. Ridículo é acreditar que existe amor. Ridículo é pensar que você viverá melhor com alguém ao seu lado. Você, com todo o meu respeito, é ridículo. Vocês, poetas, são pessoas (se é que podemos chamar seres tão (supostamente) superiores de pessoas) ridículas. Que ainda acreditam no amor. Só falta me dizer que acreditam na paz! Sinto muito, mas até mesmo acreditar no Papai Noel é mais aceitável que acreditar no amor. Se bem que o Papai Noel é uma figura feita de amor... Mas isso não vem ao caso... Metade das coisas que escrevo, não sinto. E a outra metade é falsidade. Nunca escrevi, posso te garantir, carta mais sincera que esta que te encaminho. Por mais que seja uma carta feita por uma pessoa sã, o destino que darei a ela é doentio. Você é doentio. Perdoe-me por dizer isso a você, mas me sinto na obrigação. Você e seu “amor”. “Amor” próprio, aliás. Seus poemas só falam de você e da sua relação com as outras coisas. Não está na hora de mudar? Você fica ridículo chamando tudo de ridículo. É ridículo. Espero que me compreenda.
De uma admiradora (de ridículos).

sábado, 26 de julho de 2008

Carta à um músico

Querido e amado e idolatrado (salve, salve) Chico
Logo Eu? Dentre todas as pessoas do mundo você escolhe (prepotência da minha parte achar que fui "escolhida", mas não encontro palavra melhor do meu pequeno vocabulário de falsa humilde) a mim? Essa pessoa que não sabe se abre ou fecha a janela, se espera o trem ou se vai pro mar (mesmo não chamando Madalena).
A banda hoje já passou. Cantando o lalalá de sempre... Não tem nada de diferente nessa cidade... Queria voltar para o Rio de Janeiro ou então somente pra fevereiro e ir em alguma noite mascarada.
Sabe o que fiz hoje? Rasguei todas as nossas fotos em branco e preto. Não precisamos mais viver essa mentira.
Maldita a hora que aprendi a trabalhar no photoshop!
De: Carolina do século XXI, talvez


(hahaha inútil, sim... qualquer dia eu PROMETO que posto algo decente! ou, em homenagem à vivi: descente)