apalavreado

adj.m. 1.aquele que não consegue descrever com palavras, 2. eu, 3. você, 4. os humanos em geral
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Run

Juro que não dá pra entender.
Essa correria da cidade.
Todos têm pressa.
E eu
só quero parar.
Parar por um instante,
enquanto todos correm.

Ter divagações.
Sobre essa vida
tão corrida.

Algum dia, bem depois que eu morrer, terão mapeado as temáticas que per-correram nossa época. A minha época.
Ainda bem que não viverei pra ver.

Esse post termina aqui por falta de tempo para finalizá-lo

sábado, 24 de julho de 2010

Clichê

É no mínimo irônico como as coisas são... É, no mínimo isso...
Há muito tempo tropecei na calçada. Isso poderia ter despertado em mim uma outra visão sobre o mundo ou sobre a vida, o universo e tudo mais, mas não.
O movimento da pedrinha, se deslocando, rodando até a raíz daquela enorme árvore e batendo com um leve baque poderia ter me inspirado de uma maneira que não sairia do transe hipnótico da escrita. Mas não.
Não que isso seja relevante para algo, é apenas engraçado. Eu podia ter levantado e começado a cantar e dançar, como geralmente faço, mas hoje não quis. Sei que parece natural, mas não deveria ser. Cada acontecimento, como o mosquito que acabou de voar pela janela, deveria ser relevante para a nossa vida - e não digo relevante no sentido "efeito borboleta" de ser, mas relevante na prática mesmo. Afinal, porque não posso me emocionar com a saída do mosquito pela janela? Isso não é uma metáfora? De liberdade, claro, mais clichê impossível. Sinceramente, cansei de me importar com clichês! A beleza da vida muitas vezes está presente nesses clichês!
Sem os clichês não teríamos a renovação da chuva, a alegria do sol e muito menos a surpresa do inusitado - que já é um clichê.
Sejamos inovadores e admitamos que gostamos - e muito - dos clichês.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Árdua Ditadura

Do homem deitado sobre o capô daquele carro eu não me lembrava sequer do nome. Das pessoas a minha volta eu sequer queria saber o nome, só sabia que aquela situação muito me incomodava. Tentava me desviar dos flashes das máquinas de tantos jornalistas que por mais que quisessem relatar que estava me defendendo, defendendo a minha integridade física e moral, iam me taxar de criminosa. Começava a imaginar as manchetes do jornal do dia seguinte e entrava em pânico.
Eles seguravam meus pulsos fortemente contra meu peito e me prensavam contra o carro. Estava começando a me sentir invadida e a achar que aquilo não era procedimento padrão. Quando todos dispersaram, um deles me levou a um carro e disse aos outros que ia fazer uma paradinha antes de irmos ao nosso destino final. Todos riram. Comecei a tremer de medo.
Estava algemada e assim ele me manteve, afinal, ele vira o que tinha acontecido com o último babaca que tentara esse tipo de coisa. Ele fez coisas inimagináveis comigo e eu só conseguia pensar o quanto queria matá-lo. Por estar me estuprando, mas - pode me chamar de falsa, podem duvidar de mim - estava ainda mais brava por ele e todos seus amigos terem estuprado não apenas a minha liberdade, mas a de todos os cidadãos dessa nação.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

És dor.

Ela entrou pela porta e a bateu sem nem pensar em trancá-la. Entrou no quarto tomando a mesma atitude e, se despindo, entrou no chuveiro. A água quente - absurdamente quente - ia escorrendo pelo corpo dela e ela, apoiando-se nas gélidas paredes do chuveiro, escorregou-se para o chão.

Com as pernas pressionadas contra o peito, ela ficou, estagnada. De olhos fechados e com as mãos os fechando ainda mais, ela parecia perdida. A água estava muito quente e, apesar de a estar ferindo, ela não queria se mover. Ficava lá, debaixo daquele chuveiro forte, encostada na parede gelada de seu banheiro. Assim ficou por horas.

Não sei dizer o que ela estava pensando, mas mesmo naquela posição frágil e vulnerável, ela parecia forte. Isso me impediu de me aproximar dela, pois ela parecia querer superar tudo aquilo sozinha. Eu deixei.

No dia seguinte, me chamando de idiota, bati a cabeça contra o espelho e, deitado no chão, quis morrer por acreditar - por minutos, minutos que poderiam tê-la salvo - que qualquer ser humano pudesse suportar tamanha dor sozinho.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sinceridade

Não adianta querer
rimar tudo com poder
sem ao menos te ter
em meus braços e ser
tudo aquilo que você
não quer ou pode ver

Sim, isso é uma declaração. Uma carta pouco romântica de declaração.
Eu declaro, através dessas frases mal escritas, que eu não gosto (nenhum pouco) de você.

domingo, 9 de agosto de 2009

Destrocas

Hoje acordei com uma vontade imensa de lhe escrever, mas o grande problema das palavras é que elas nunca são do tamanho certo.
E se algum dia eu disser que te amo, não quer ver você na fila do meu cérebro para trocar essas palavras que lhe dei.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais você

Ele chegou com as mãos geladas em seus ombros. Ela estremeceu.
Ela tentou se virar. Ele acariciou seu pescoço.
Ela morria de curisidade e de tentação. Ele continuava a mover sua gélida mão pelo seu corpo.
Ela não conseguia se virar.
E ele parecia incapaz de matar.
Mas ele foi capaz.
E ela não pode sequer entender.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

784.0981^U555v^1997

- Esse é o código que você tem que encontrar.
E seu olhar se arrastou pela aquela imensa biblioteca. Parecia ser um árduo trabalho.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Idade

Ele saiu para comprar pão. Estava no último degrau da longa escada e se lembrou: esquecera a bengala. Penosamente, voltou e logo saiu.
Chegando à padaria pediu dois pães, pagou e deixou o lugar. Um fusca com o escapamento ruim passou e fez um estrondo. Seu coração parou.
O bom de viver em uma cidade como essa é que nunca se distingue a diferença entre um escapamento e um tiro de revólver.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sério?

A seriedade é algo muito sério e que merce muita reflexão.
É sério!
Pode parecer que eu estou brincando, mas eu não estou!
Estou falando seríssimo!
A seriedade é coisa séria.
Se usamos ironia em uma conversa séria, aconversa já perde boa parte da sua seriedade.
Mas convenhamos: qual a graça de uma conversa sem ironia?
A seriedade nem é algo tão sério assim...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O poder da imaginação

Ele andava sempre pensando que o pior poderia acontecer.
Criava na sua mente as situações mais embaraçosas e às vezes chegava a confessar a si mesmo que só piorava as coisas agindo assim... Mas nem por isso parava de agir assim.
Imaginava diálogos com as pessoas que teve algum tipo de problema, imaginava longos textos para escrever quando chegasse em casa (e nunca o fazia), imaginava obras geniais... Ele podia ser um grande artista... Se não fosse sua mania de piorar tudo e sua enorme preguiça...
Imaginava altas cenas... De brigas, confusões, amor, ódio, discussões, sexo, de tudo... E acabava esquecendo de viver...
Um dia, enquanto descia a rua ouviu o barulho de um escapamento de uma moto. Caiu no chão desesperado, se contorcendo de dor. E morreu achando que tivesse sido atingido por um tiro.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cansei

Minhas mãos às vezes me enganam... Estou para presenciar o dia que me trairei e todos descobrirão minha farsa. Descobrirão que não sou um ser completo, mas uma série de seres mutilados. Quantas vezes durante esses dias não escrevi coisas que não eram o que meu verdadeiro eu escreveria? Fiz isso durante a minha vida toda - entre redações escolares e cartas à amigos - porque deveria parar agora? Cheguei a tentar parar... Mas isso só serviu para meu "eu interior" - sejá lá quem ele for - ficar mais nervoso, inquieto. Então resolvi que repreendê-lo por tentar dar uma de camaleão não seria nem de longe a solução. E cá estou eu escrevendo algo que depois vai ficar nessa página de internet para que daqui algum tempo a autora possa ler e dizer: ai, como eu fui ridícula. Mas dane-se a autora. O que importa aqui é o eu-lírico. Alguém presta atenção em mim, por favor?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Book

Um belo dia para se ler, imaginou.
Para ela sempre era um bom dia para se ler.
Chuvoso? Ler. Ensolarado? Ler. Nublado? Ler, é claro!
Isso contribuía para seu isolamento social. Tinha poucos e escolhidos amigos e muitos, mas também escolhidos, livros. Contava nos dedos as pessoas com quem podia com certeza contar a todo momento e em qualquer situação. Em alguns dias, nesse grupo nem ela constava - mas com certeza o Machado a entenderia.
Anti-socialidade é um grande problema, mas ela gostava de pensar que era uma dádiva.
Ela imaginava que o fato de superar muitas coisas apenas lendo a tornava forte, quando isso a enfraquecia cada vez mais.
Quando morresse, dizia que queria ser enterrada junto com grandes clássicos, mas os cupins já os teria levado.
Clássicos que são clássicos duram para sempre, pensou ela, indignada.
E morreu de desilusão. Afinal, os livros também nos decepcionam.

domingo, 29 de março de 2009

Bem me quer

A menina na porta de casa com vestido de gala e uma rosa vermelha na mão.
A menina na porta de casa com o vestido de gala e uma rosa vermelha na mão e o rosto tampado para esconder a falta da maquiagem.
A menina na porta de casa com vestido de gala e uma rosa vermelha na mão e o rosto tampado para esconder a falta de maquiagem e balançava a flor.
A menina na porta de casa com vestido de gala e uma rosa vermelha na mão e o rosto tampado para esconder a falta de maquiagem balançava a flor e começava a despetalá-la.
A menina na porta de casa com vestido de gala e uma rosa vermelha na mão e o rosto tampado para esconder a falta de maquiagem balança e depetala a flor.
- Mal me quer.
A menina na porta de casa com vestido de gala e uma rosa vermelha na mão e o rosto tampado para esconder a falta de maquiagem atira a flor para longe que é logo atropelada por um carro.
E morre uma ilusão.

domingo, 8 de março de 2009

25 de março

Sentou na calçada esperando que o sol diminuisse sua fervura. Nem ao menos um sinal de uma brisa, morna que fosse; nada. Imaginou-se na chuva, soterrado de água, por mais improvável que fosse, preferia estar nas águas do rio Tietê.
Respirou fundo com o ar quente machucando seus pulmões e resolveu procurar uma sombra, mas ao meio-dia elas são alucinações. Nenhum sinal do seu ônibus. A idéia de pegar o transporte abafado, a idéia de passar uma hora - sendo otimista - lá naquele calor o fez pensar no tão querido inverno.
Ah, o inverno. Sua cabeça era mais leve no inverno, ou melhor, menos quente. Se irritava menos, estava no fundo, mais feliz.
E finda o verão.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Do you wanna dance?

Música eletrônica. A maior festa. Ninguém escuta nada exceto as batidas frenéticas.
Rock. A maior zona. Ninguém escuta nada exceto os gritos de revolução.
Bossa nova. O maior romance. Ninguém escuta nada exceto as batidas dos corações apaixonados.
Um concerto. A maior intelectualidade. Ninguém escuta nada exceto o suor do maestro no suporte da partitura.
Um errado. A maior tristeza. Ele não escuta o mundo porque está errado.

domingo, 1 de março de 2009

Lendo o futuro

O ônibus corria e sua mente estava em alguma esquina. Já fora atropelada pelas rodas enlouquecidas daquele ônibus.
O dia mal se levantara e pelo visto o motorista só fizera isso e esquecera de acordar.
Era sempre uma emoção fazer aquele caminho.
Mas ele nem se incomodava mais... Chegava a ser prazeroso o pra lá e pra cá... Quase um cerimonial.
Estranho foi o dia que o ônibus não parou de solavanco e não jogou os passageiros em cima uns dos outros sequer uma vez. E aquele dia foi o mais bizarro da sua vida.
Talvez o ônibus tenha sido um preságio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Basta empurrar a barra

Se ela fosse alguém, sentiria-se mal por aquilo, mas limitava-se a ser ninguém. Com isso a cada dia odiava-se cada vez mais... Odiava-se por simplesmente não ter opinião própria, afinal quem era ela para dizer algo? Sua vida se tornou um ciclo vicioso do qual ela encontrou apenas uma saída.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Besteiras de devaneios diários

O frio penetrava na sua pele como milhões de agulhas. Aquela sensação era maravilhosa, como se fosse única. Como se só ela pudesse sentir tal dor e prazer.
O sol nascia entres os prédios para seu novo dia de fígado de Prometeu. Sorriu por aquela bola amarela - será que era mesmo amarela? - estar fraca aquele dia. Assim estaria livre das enxaquecas típicas do verão.
Saiu de casa, subiu a rua e andou pelas já conhecidas calçadas. Parecia, todavia, que algo havia mudado. Olhou a rua e percebeu que nunca a tinha visto e agora, a via também a via.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um modo simpático de morrer.

Ela se jogou na cama ao som de "Cálice" e se moveu nela com dificuldade.
Sangue... Sangue - sangue!
Palavra presa na garganta? Ela gritou ruídos desconhecidos e, ainda se remoendo na cama tateou o criado mudo em busca de água - quem sabe ela não viraria vinho.
Embriagou-se na sua melancolia e assim adormeceu.