apalavreado

adj.m. 1.aquele que não consegue descrever com palavras, 2. eu, 3. você, 4. os humanos em geral
Mostrando postagens com marcador poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poemas. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de setembro de 2009

Um poema qualquer

E quando o dia amanheceu
e eu não tive forças pra levantar
Olhei, do sofá, para o céu

retrato.

sábado, 27 de junho de 2009

Apenas mais uma loucura

E ele sorriu.
Na última fileira do ônibus, um em cada ponta.
Era assim que a vida os carregava.
Sempre separados de qualquer outra pessoa.
E eles nunca reclamaram.
Louco foi aquele que ousou sentar entre eles.
A distância era muita, mas um obstáculo tudo mudava.
E o sorriso sumiu.


- é apenas mais uma pessoa triste no mundo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Cartas de Amor são falsas, não seriam cartas de amor se não fossem falsas

Sabe o que eu queria?
Queria poder te abraçar
sem acharem que estou dando em cima de você...

Queria poder encostar no seu ombro
e chorar
sem você ter que me perguntar o que está acontecendo...

Queria poder ficar em silêncio
sem você se sentir desconfortável...

Queria que você não se incomodasse
quando eu não olhasse pra você...

Queria que você simplesmente acordasse
e visse que eu não olho pra você porque é doloroso demais.
Cada vez que meu olhar sem vida e sem graça encontra com o seu olhar tão brincalhão e belo meu coração se aperta e começa a lamentar.

Queria que você percebesse
que texto piegas não é coisa minha
e que isso é sim pra você.

domingo, 14 de junho de 2009

A flor e a USP

Preso à universidade e às minhas idéias

Vou atento pela rua cinzenta

Polícias, políticos espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, com flores, revoltar-me?

Olhos sujos na torre do relógio:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de merda, maus poemas, manifestações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

Fundem-se no mesmo impasse

Em vão tento me explicar, os adultos são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos

O sol consola os que tem frio e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase

Vomitar essa revolta sobre a cidade.

Setenta e cinco anos e nenhum problema

Resolvido, tantos colocados.

Várias cartas escritas e recebidas

Todos seus estudantes voltam pra casa

Estão menos livres, pois leram jornais

E deturpam o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da usp, como perdoa-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que não ajudam a viver

Ração diária de erro, distribuída para matar

Os ferozes jornalistas do mal

Os ferozes políticos do mal

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim

Ao menino de 1968 chamavam revolucionário

Porém meu ódio é o melhor de mim

Com ele me salvo

E dou a poucos uma esperança mínima

Uma flor nasceu na rua!

Passem longe circulares, pms, suely

Uma flor ainda desbotada

Iluda a polícia (que se protege com escudos), rompe o asfalto

Não façam silêncio, prestem atenção, tirem fotos

Garanto que uma flor nasceu

Sua cor não se percebe

Suas pétalas não se abrem

Seu nome não está nos livros

É feia. Mas é realmente uma flor

Sento-me no chão do campus às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, a revolta, a desprezo e o ódio.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Paradigma

Diz a lenda
Dizia lento
Diz que ia, a lenda

muito disse e nada faz

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Viva la revoluciòn

Gritava loucamente
apaixonadamente
gritava pelo ideal em que
acreditava acreditar

se surprendeu quando
descobriu, assim, de repente
que a estavam
a manipular

- é nisso que dá não pensar

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sobre uma revolta

Você quer uma reação ou apenas um consentimento?
Algum dos dois você tem que querer...
Quer saber, tanto faz
Nem me importo mais.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Desejo

Antes de um ato de ser
é viver
mas o ato de viver
passa longe do ser.

Desejo que você seja quem
você quiser ser
que você possa mudar
e viver o amanhã
melhor que hoje.

Desejo que você viva
o suficiente para ser.
desejo que você possa.
feliz

segunda-feira, 4 de maio de 2009

É simplesmente cansativo

Quando sai de casa
depois de um dia... tão cansada!
E vi você tão rosada
imaginando-se tão rodada...
Ahh, eu estava tão cansada

Queria protestar
e ao inferno te atirar,
de um sorriso te privar!
Mas ahh, eu estava tão cansada

Quando eu sair de casa
para um dia preparada
e vir você tão acabada,
escondendo seu olhar
vermelho de chorar,
inchado de tanto se drogar

Vou querer te matar,
Pra sua mãe te entregar
e a verdade nunca te falar!
Mas ahh, eu estarei tão cansada

Cansada de te aguentar,
de fingir ligar
e de tanto me preocupar
Então quer saber?
Aprenda a cuidar da sua vida
que eu vou cuidar da minha
e parar de me cansar

quinta-feira, 26 de março de 2009

Party time

Dançava a toa ao ritmo do Elvis
One
Two
Three o'clock
Pés sangrando de tanto esforço para imitar o mestre
Four o'clock rock,
Five,
Six
E girando, girando fantasiou sua dança com seu príncipe...
Seven o'clock,
Eight o'clock rock
Nine
Caindo exausta no chão a música muda.
É a realidade que chega sem pedir licença

terça-feira, 10 de março de 2009

Seis da manhã

Seis da manhã é meu horário preferido...

Os porteiros estão pra trocar de turno,
pois claro já está,
mas o frescor do dia
está apenas a raiar.

Os meus passos sobem a rua - 
sozinhos.
E ecoam pela rua -
sozinhos.

Não escuto nada a não ser meus passos vazios...
Minha voz já não será tão branda,
minha vida já não terá essa calma,
meus ouvidos já terão esquecido o sabor do meu sapato no chão...

Seis horas da manhã é meu horário preferido do dia.

Só escuto meus passos
e ninguém a reclamar.
Só escuto meus pensamentos
ainda matinais a pensar...

Ao meu ritmo
- sonolento ritmo -
subo a rua na companhia do soar de passos.

Seis horas da manhã é meu horário favorito do dia...

simplesmente porque
é a única hora que aprovo 
a direção para que os passos me levam.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um dia no Centro Cultural

Você sentado com os amigos.
Você jogando baralho, estudando, ouvindo música.
Sozinho.
E a chuva cai.
“Chuva de verão”, você ousa pensar.
E a chuva não pára.
Uma pomba pousa perto de você e, mancando, ela começa a se movimentar. E você lá... Só a observar.
Uma bicicleta de dois lugares passa.
Um cego procura se orientar.
Alguns bêbados passam.
Tudo parece normal para o centro cultural.
Tirando a pomba manca.
E a pessoa no banco traseiro da bicicleta que, você percebe momentos depois, está com os olhos vendados.
Curiosa cena.
O rapaz no banco da frente sorri para você e você retribui o sorriso como em uma rotina qualquer.
E num corredor chuvoso alguém na outra ponta abre um guarda-chuva colorido que torna tudo mais surreal ainda.
E você pensa: ah, como São Paulo é linda!

sábado, 29 de novembro de 2008

Onde está a esperança?

Tinha uma flor no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma flor
Tinha uma flor
No meio do caminho tinha uma flor

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma flor
Tinha uma flor no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma flor...

Até que alguém a destruiu... E então, pedras nasceram na rua.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Poética

Queria poder fazer um poema
Sobre coisas belas e felizes
Mas apenas consigo pensar em
Tragédias sem fantasia alguma.

Um poema é difícil de se fazer
Às vezes difícil de se entender.
Complicado mesmo é entender
O real motivo de se escrever.

Alguém que não tem o que fazer, escreve
Como o mais belo passatempo. E o poeta,
após reler seu poema acaba pensando:
não é que escrevi sobre coisas belas?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sapato

- Érica... Essa aula ta inútil, eu terminei português e não to na vibe de fazer história... Fala uma palavra?
- Pudim
- Mas essa foi ontem
- Maçã
- Você só pensa em comida?
- Ta bom... Sapato
- ...
- Roupa... Futilidade mode on!
- Serve sapato vai...

Nhec
Nhec
Nhec
Nhec
Parou de andar.
O "nhec" parou também.
Devagar deu mais um passo. Apenas mais um pequenino e longo nheeec.
Nhec
Nhec
Nhec
Passos...
Eu os passo. Quero ficar parada só uma vez na minha vida! Cansei de passos sem destino... Quero pelo menos voar como as aves... Ter uma boa visão do que acontece no mundo...
Chega desse sapato velho.
O atirou no lixo e houve um suspiro de morte: nhec

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Poema de criança

Ping
Ping
Ping
Pequenas gotas de chuvas
Ping
Ping
Ping
E elas caem no chão com tanta delicadeza
Ping
Ping
Ping
E elas molham meu cabelo
Ping
Ping
Ping
Mas elas quase não me molham
Ping
Ping
Ping
Mas elas fazem tanta diferença na minha vida
Ping
Ping
Ping
Que depois que a chuva pára
Eu fico querendo mais
Mais um ping
E ele não vem...
Porque eu não controlo a chuva
Mas parece tanto que ela me controla
Ping
Talvez seja a minha mente que esteja chovendo.
Trovão
E começa o temporal.
De idéias.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Saudade

Faz tempo que não faço um poema decente... Aliás, faz tempo que não faço poemas... Interessante não?
Sabe... Saudade é um tema batido, mas muito interessante...
Principalmente nesso momento...
Ok, depois de um "essa é a sua vida" básico, vamos ao texto:

Saudade...
Dizem que é a idade
Saudade

Já acordou em um dia
Olhou pro relógio e tentou fazer o tempo voltar?
Dizem que isso é saudade.

As bolinhas no chão
Que machucam a mão
Marcarammeu coração.

Saudade...
Existe saudade por antecipação
Já ouvi dizer que sim e que não.

Dizem que a dor
Que hoje sinto
Vai acabar formando bolor

Saudade...
Já me disseram:
é a idade!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Literal

Que maçada!
Uma flor nasceu na rua
E o príncipe desabrochou.
E sabe o que aprendemos com tudo isso?
Não sei.
Só sei que foi assim.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Revolta

Escândalo!
Soco
Tapa
Arranhão
Puxão de orelha
De cabelo
Tapa
Soco
Arranhão de novo
Pandero que nada
Vou é bater em você
Já não aguento mais e que você vá pro inferno
Vou batendo em você porque no pandeiro eu não sei
Chute
Soco
Tapa
Não olhe mais na minha cara

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Alice

Em meio ao escuro azul celestial
A lua brilhou como um sorriso
Juntei-me a ela ao lembrar do gato que ri

Ah, que grande mentira!
Lembrei de você
E não quis dizer!