apalavreado

adj.m. 1.aquele que não consegue descrever com palavras, 2. eu, 3. você, 4. os humanos em geral

sábado, 31 de janeiro de 2009

...

O coração apertado, o estômago paarecendo querer sair... E não pensava em nada. Só em como seria ser uma barata. Kafka e Nietzsche não é exatamente uma combinação de livros agradáveis.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Capitalismo

Um som de moeda caindo no cofrinho.
Cansava de ouvir aquele som e, mesmo assim, o cofre parecia vazio.
A cada dia colocava pelo menos uma moeda a mais no cofre e a cada dia, ao invés de mais cheio ele se tornava mais vazio.
Pode parecer um texto metafórico, mas na realidade era só a vida de um consumista frenético.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

No sense

Olha que coisa mais linda!
A chuva cai, os carros boiam, só faltam os peixes...


A garota andava pela avenida paulista debaixo de chuva, de uma grossa chuvisca. Quanto mais ela tentava desviar das inúmeras poças que havia no meio do caminho, mais ela pisava nelas. Parecia inevitável andar e não se molhar, parecia inevitável se molhar e não sofrer. Sofrer por aquela chuva lembrá-la de tantas outras coisas ruins. Mas, se São Pedro estava ou não bravo - é engraçado, mudam-se os nomes, mas nunca a essência - ela só podia dizer que seu sapato estava molhado.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Chuva

A chuva cansou de ser sinônimo de tristeza. Só é felicidade quando a terra está na seca.
A chuva caia ao ritmo da canção. E ninguém parecia ligar. Debaixo dela e do descaso de todos só pude tirar o meu chapéu e dançar.
Dancei como qualquer louco dançaria. Dancei como se nunca tivesse posto o pé no chão, como se andasse sobre as nuvens, como se a chuva fosse um privilégio só meu.
E com o chapéu na mão só pude sorrir para mim mesma por ter a sorte de viver e sentir as gotas em meu corpo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Falsidade

E a noite chegou no interior do barco e no interior de mim.
Senti-me escura e sem vida, como fazia tempo que não sentia. E graças a essa escuridão eu respirei com dificuldade e pude dizer a mim mesma quem eu era e não ter medo ou vergonha disso. Para alguém cheio de defeitos como eu, é bem mais fácil olhar-se no espelho sabendo que não vai enxergar nada.
E quando o sol nasceu no outro dia, abri o guarda-roupa e escolhi qual máscara iria usar hoje.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um dia no Centro Cultural

Você sentado com os amigos.
Você jogando baralho, estudando, ouvindo música.
Sozinho.
E a chuva cai.
“Chuva de verão”, você ousa pensar.
E a chuva não pára.
Uma pomba pousa perto de você e, mancando, ela começa a se movimentar. E você lá... Só a observar.
Uma bicicleta de dois lugares passa.
Um cego procura se orientar.
Alguns bêbados passam.
Tudo parece normal para o centro cultural.
Tirando a pomba manca.
E a pessoa no banco traseiro da bicicleta que, você percebe momentos depois, está com os olhos vendados.
Curiosa cena.
O rapaz no banco da frente sorri para você e você retribui o sorriso como em uma rotina qualquer.
E num corredor chuvoso alguém na outra ponta abre um guarda-chuva colorido que torna tudo mais surreal ainda.
E você pensa: ah, como São Paulo é linda!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Completa

- Tô bem, mãe! Sim... To agasalhada.
E desligou o telefone.
Os pés nus no chão da calçada gelada.O vento brincando com seus cabelos, correndo entre as suas pernas, seus braços. Que sensação magnífica aquela... A sensação de estar viva.
Jogou dois dados e qual não foi a sua surpresa com o 7.
Sete é um número cabalístico?
É o número da perfeição.
Sentiu-se apenar completa.