apalavreado

adj.m. 1.aquele que não consegue descrever com palavras, 2. eu, 3. você, 4. os humanos em geral

sábado, 23 de agosto de 2008

Poema enjoadinho

Surgiu como um clarão
Esse começo obviamente não é meu
Assim como este outro
É de Carlos Drummond

Ah esse grande mundo!
Permita-me segurar sua mão
E por apenas um segundo
Sentirei que você está ao meu lado
Mesmo que isso seja ilusão

Um arrepio, um calor
Um olhar, um brilho: um raio solar
Uma gota de chuva,
Uma lágrima e então
Eu acordo e vejo que nada existiu

Ah doce ilusão!
Há quanto tempo não dizia isso?
Ser realista é tão bom!
Os modernistas que me perdoem
Mas ninguém ironiza como o Machadão

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sociedade Alternativa

O tempo fechou.
O sol sumira há mais de duas horas. Ainda era dia, é claro... As lojas ainda estavam abertas... Nessa sociedade capitalista o tempo é medido pela abertura das lojas...
A roupa estava sendo tirada do manequim... Uma moça pára em frente à ele... O observa por um tempo e diz:
- Que pernas lindas! Quero comprá-las!
- Moça, o manequim não está à venda...
- Mas essas são as pernas que eu sempre sonhei
- Sugiro que procure um cirurgião plástico
- São as pernas que eu idealizei que levariam a minha vida
- Talvez um psicólogo, no seu caso, seja melhor...

sábado, 16 de agosto de 2008

Mas este capítulo não é sério

Vento no rosto e sorrisos. Risadas (gostosas e as apenas comestíveis).
Abraços. Um bêbado. Uma equilibrista. The show must go on.
Alegria. Aula de química? Surreal. Alice? Cortem as cabeças! Café. Chocolate! Pão de queijo! Eu?
Revolta. Revolução! Música! Cantarolando! Pessoas gritando na rua. Pessoas cantando no café. No café? Dentro do chocolate frio? Através do espelho? Tensão.
Mas esse capítulo não é sério.
Olhando pro teto percebo que se cada dia da minha vida fosse um capítulo... Nossa! Que enorme! Que lindo! Queria poder escrever algum dia um capítulo sério.

sábado, 9 de agosto de 2008

Frio

Meus olhos doem com a claridade repentina da manhã... A janela ficara aberta e o vento gélido entrava e uivava nos meus ouvidos.
Deitado eu observava o teto que, repentinamente, se tornara mais interessante que qualquer coisa que se passava pela minha mente. Talvez não mais interessante, mas bem menos assustador.
Não sei o que eu pensava, mas não me agradava nenhum pouco... E foi então que uma luz repentina fez meus olhos arderem.
Levantei-me e encostei meus pés no chão frio. Tão frio quanto meu coração. Que estúpido! Mas não deixa de ser verdade... Sentia meu sangue congelado... Sentia que se caísse me quebraria em muitos pedaços. Sentia-me fraco, frágil, inútil. E se quebrado ficasse, quem se daria ao trabalho de juntar-me todo? De montar o meu quebra-cabeça?
Deixei o vento pentear meu cabelo e fiquei a observar o infinito... Queria parar esse momento. E como não consegui sai para continuar com aquela maldita vida e sua rotina bendita.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Magia

Um coelho branco saiu de dentro da cartola.
Não tocava nenhuma música do Cartola, mas o silêncio era a mais bela poesia.
Com um passe de mágica o coelho desapareceu e onde antes estavam seus olhos vermelhos cresceu o fogo do inferno.
A magia se esgotou, só me resta a meditação... Ou não.

domingo, 3 de agosto de 2008

Romeu?

(para a minha maninha: um texto pseudo-romântico... prometo fazer um mas decente depois mas enquanto isso, vai esse)

- Ó meu, ó meu! Onde estás, ó meu?
-Uma voz! A lua se esconde para que eu não possa ser visto! Lá está a luz da minha vida! Na sacada de seu quarto... Seu olhar perdido e o mundo aos seus pés. Seus olhos iluminados pela tristeza e angústia. Tamanhas que o quintal ilumina-se através deles.
- Ó meu, ó meu! Onde estás?
- Ela me chama! Chama por seu amor! Seria este eu? Quem dera fosse! Aqui estou, todo seu!
- O que? Escuto algo? Alguém me ouve nessa escuridão? Nesta noite sem luar e aparentemente sem vida? Alguém ou alguma coisa escuta meus lamentos?
- Oh! Ela não pode me ver! Como pode não me ver com esses olhos magníficos?
- Quem está ai? Ou o que. Não sei, não me importa, apenas me responda! Estou sentido falta de algo que nunca tive!
- Que olhar! Que voz!
- Não fala mais comigo ó criatura da noite? Vou-me embora então!
- Não!
- Ouço algo novamente?
- Não vá! Se você for eu caio em completa escuridão e perco-me! Com você a olhar para o infinito eu sinto vida dentro de mim!

sábado, 2 de agosto de 2008

Imagine

Sentei naquela cadeira e abri um livro...
Um vento repentino levou meu cabelo... Eu não estava mais onde estive... Um mundo novo se abriu em minha mente com aquele leve sussurrar de vento na minha cabeça. Crianças correndo? Não vejo nenhuma... Só escuto passos leves das musas... Imaginação fértil?

(eu juro que tinha imaginação)